Podemos dizer que a astrologia existe desde o momento em que o homem olhou para o céu pela primeira vez e observou o movimento dos astros: o Sol se movendo, as diferentes fases da Lua. Esses primeiros registros são tão antigos que é difícil precisar com exatidão o momento do seu surgimento. 

Nos tempos mais remotos, esse saber astrológico era produzido pela observação empírica, sem um fundamento científico e divulgado boca a boca. Mas foi na Mesopotâmia que ela criou raízes e se desenvolveu, mantendo-se cada vez mais viva e atual, até os dias de hoje. 

Primórdios da astrologia 

Na Mesopotâmia foram encontrados os primeiros registros que mostram a presença da astrologia, como tabelas planetárias gravadas em tijolos e documentos escritos por seus habitantes. Foram esses povos da Babilônia, Pérsia e Suméria, entre outros, que formaram a base sobre a qual foi montada a astrologia, mais tarde desenvolvida pelos gregos. 

Um dos povos mais conhecidos pelo amplo uso da astrologia foram os Caldeus, que construíram torres para observação do céu a partir de suas vastas planícies.  Foram eles que fizeram os primeiros registros do trânsito da Lua e do Sol e também da existência de planetas que conhecemos hoje, compondo o nosso Sistema Solar. Ainda no período babilônico, já havia também o registro de eclipses. 

Inicialmente, o estudo dos astros era empregado para as questões práticas de sobrevivência desses povos, orientando a melhor época de plantar e colher, a temporada ideal de pesca e caça, previsão de grandes enchentes ou ainda de catástrofes causadas pelo próprio homem, como grandes guerras. 

Mas a influência e importância da astrologia era tão grande, que logo ela passou do coletivo para o pessoal. Prova disso é o registro de um dos primeiros mapas feitos para um indivíduo, o rei Sargão I, da Babilônia, em 2.350 a.C, estreitando a relação da astrologia com o conhecimento da personalidade dos seres humanos. 

Assim como a Babilônia, o Egito também pode ser considerado o berço da astrologia, de modo que os registros mostram a existência do estudo dos astros no mesmo período em ambas regiões. Foram os egípcios que esculpiram, no teto do Templo de Denderah, o Zodíaco circular, que hoje está exposto no Museu do Louvre. Além disso, até hoje utilizamos o calendário adotado por eles, com a divisão do ano em 12 meses e dos dias em 24 horas. 

A ascensão da Grécia 

Com a conquista de Alexandre, O Grande, sob o Império Persa, a tradição e conhecimento dos povos da Mesopotâmia foram sendo incorporados e difundidos entre o pensamento grego. Conforme as tropas alexandrinas avançavam, o grego se tornava a língua dominante, marcando o início de uma propagação das ciências ocultas. Foi graças a isso que os tratados de astrologia, por exemplo, chegaram até nós, sendo traduzidos primeiro para o grego e depois para as línguas modernas. 

Os grandes filósofos gregos como Platão, Sócrates e Aristóteles eram apreciadores da cultura babilônica e acreditavam na relação dos astros com o nosso mundo. O astrônomo e matemático grego Hiparco utilizou grande parte do conhecimento dos babilônios nos seus estudos de astronomia.  Foi ele que dividiu a circunferência em 360 graus, tornando as medidas de tempo como dia e ano mais exatas, o que facilitou muitos dos cálculos e estudos relacionados aos astros. Toda a sofisticação dos estudiosos e filósofos gregos deu à astronomia uma visibilidade e exatidão cada vez maior. 

Posteriormente, a dominação romana abriu espaço para a astrologia chegar ao Ocidente e assim atingir seu auge. Os escravos gregos disseminaram sua cultura e conhecimento entre os latinos. Imperadores usavam a astrologia como forma de estudarem seus opositores e aumentarem seus domínios. Porém, com o triunfo do Cristianismo, que virou a religião oficial do Estado, magia e astrologia passaram a ser consideradas práticas pagãs, passíveis de pena de morte. 

Da queda aos dias atuais 

Na Idade Média, a astrologia e a astronomia, que até então andavam juntas, foram separadas. Os astrólogos eram extremamente perseguidos, punidos com morte e assim seu estudo perdeu o destaque, embora ainda tivesse defensores por toda a Europa. 

Anos depois, com o Renascimento, a astrologia voltou a viver um momento de grande prestígio, com nomes importantes como Galileu Galilei, Johannes Kepler e Paracelso que a utilizavam de forma ampla em seus estudos e trabalhos. Assim, ela foi se tornando mais conhecida, porém vivendo períodos de auge e descrédito ao longo de muitos anos. 

No início do século XX, porém, ela viveu um verdadeiro renascimento. Livros e revistas, além das escolas especializadas no assunto, passaram a ser um sucesso. Ainda antes da Segunda Guerra Mundial, os jornais londrinos começaram a publicar os horóscopos diários, o que contribuiu para que a astrologia se tornasse mais popular e também comercial, estando presente nas rádios, programas de TV e inúmeras publicações. 

Hoje, cada vez mais e mais pessoas se interessam pelo estudo da astrologia como uma busca pelo autoconhecimento. Ela é uma ferramenta que nos ajuda a entender os aspectos da nossa personalidade, nossas potências e pontos a serem trabalhados e desenvolvidos, para seguirmos a nossa jornada de evolução pessoal. 

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